Quanto da sua compra no supermercado é imposto hoje — e o que pode mudar?
A carga tributária varia bastante entre os produtos do supermercado. Com a Reforma, itens da cesta básica terão IBS e CBS zerados, enquanto outros terão redução ou tratamento diferente.
REFORMA TRIBUTÁRIA
Contadora Shyrlene Chicanelle
9/1/20264 min read


Quando você olha o preço de um produto no supermercado, não vê apenas o custo do alimento.
Ali também estão embutidos impostos pagos em diferentes etapas até aquele produto chegar à prateleira.
E a quantidade varia bastante.
Por isso, não dá para dizer que “30% de toda compra é imposto” ou usar um único percentual para todos os produtos.
Cada item possui uma realidade diferente.
1. Quanto de imposto existe hoje em alguns produtos?
Estimativas utilizadas para informar a carga tributária ao consumidor mostram diferenças importantes entre produtos comuns.
Hoje, aproximadamente:
Arroz: 17,51%
Feijão: 20,15%
Leite de vaca: 19,67%
Carne bovina: 30,02%
Frango: 31,22%
Ovos: 20,87%
Tomate: 16,27%
Macarrão: 16,27%
Açúcar: 29,47%
Biscoitos: 34,58%
Isso ajuda a entender por que dois produtos dentro do mesmo carrinho podem carregar pesos tributários tão diferentes.
2. Onde estão esses impostos?
Hoje, o preço pode carregar tributos cobrados em várias partes da cadeia.
Eles aparecem na indústria, no transporte, na distribuição e na venda.
Entre os principais estão tributos como:
ICMS
PIS
Cofins
IPI, em determinados produtos
Uma das críticas ao sistema atual é justamente essa dificuldade de enxergar exatamente quanto imposto ficou acumulado ao longo da cadeia.
3. A Reforma Tributária muda essa lógica
A Reforma está substituindo gradualmente vários tributos sobre consumo por dois principais:
CBS, de competência federal.
IBS, de estados e municípios.
A intenção é criar um sistema mais transparente e reduzir o chamado efeito cumulativo, em que impostos pagos em uma etapa acabam ficando embutidos no custo das etapas seguintes.
4. A cesta básica terá uma mudança importante
Produtos incluídos oficialmente na Cesta Básica Nacional terão alíquota zero de IBS e CBS.
Isso inclui vários alimentos essenciais.
Ou seja, quando o novo sistema estiver efetivamente implantado, esses produtos não terão cobrança desses dois tributos nas operações abrangidas pela regra.
Essa é uma das maiores mudanças para o consumidor.
5. Isso significa que arroz e feijão vão ficar 17% ou 20% mais baratos?
Não.
Esse é um cuidado muito importante.
Se hoje uma estimativa aponta 17,51% de carga tributária no arroz, isso não significa que zerar IBS e CBS fará o arroz cair exatamente 17,51%.
O sistema atual possui vários tributos e tratamentos estaduais diferentes.
Além disso, preço depende também de:
safra
transporte
combustível
dólar
oferta e procura
margem do supermercado
custos de produção
A Reforma altera a tributação.
Ela não controla o preço da prateleira.
6. Alguns produtos terão imposto zero e outros apenas redução
Nem tudo que está no supermercado fará parte da cesta básica com alíquota zero.
Existem três situações principais:
1. Produtos com alíquota zero
Itens incluídos na Cesta Básica Nacional e outras hipóteses previstas na lei.
2. Produtos com alíquotas reduzidas
Diversos alimentos e outros itens terão redução em relação à alíquota padrão.
3. Produtos tributados normalmente
Continuarão sujeitos à alíquota geral do IBS e da CBS.
Isso significa que o efeito no seu carrinho dependerá muito do que você costuma comprar.
7. Alguns produtos podem até receber tributação maior
A Reforma também criou o Imposto Seletivo.
Ele foi pensado para determinados produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.
No supermercado, um dos exemplos mais conhecidos são as bebidas açucaradas.
Ou seja, enquanto alguns alimentos essenciais terão tributação menor ou zerada, outros produtos podem enfrentar uma carga maior.
8. A nota fiscal deve deixar o imposto mais visível
Uma das mudanças mais interessantes para o consumidor é a maior transparência.
Com IBS e CBS destacados nos documentos fiscais, ficará mais fácil enxergar quanto de imposto existe naquela operação.
Hoje, boa parte da carga fica diluída e escondida ao longo da cadeia.
No novo sistema, a intenção é tornar isso mais claro.
9. A mudança não acontece de uma vez
Em 2026, IBS e CBS estão em fase de teste e adaptação.
A CBS passa a ganhar peso efetivo a partir de 2027.
O IBS entra gradualmente nos anos seguintes.
A transição completa está prevista para 2033.
Por isso, o consumidor não deverá perceber uma mudança brusca em todos os preços de um dia para o outro.
Então seu supermercado vai ficar mais barato?
Essa resposta depende.
Uma família que compra muitos produtos da cesta básica pode sentir um efeito diferente de outra que consome grande quantidade de produtos industrializados ou sujeitos a outras regras.
O ponto mais importante é este:
a Reforma não determina o preço do alimento. Ela muda o imposto que faz parte desse preço.
E isso pode, sim, influenciar o orçamento das famílias.
Dica SC Contabilidade
Quando você olha uma etiqueta no supermercado, existe muito mais por trás daquele preço do que apenas o produto.
Hoje, diferentes impostos ficam embutidos ao longo da cadeia.
Com a Reforma Tributária, essa lógica muda.
Alimentos essenciais terão IBS e CBS zerados, outros terão redução e alguns produtos poderão ser mais tributados.
Mas não espere uma conta simples do tipo:
“tirou 20% de imposto, o produto ficará 20% mais barato”.
O preço depende de muitos fatores.
O que muda é que, aos poucos, o consumidor deverá conseguir enxergar melhor quanto está pagando de imposto em cada compra.
SC Contabilidade — Porque confiança não tem preço.