A Reforma Tributária pode fazer você mudar seus hábitos de consumo

Produtos com alíquota zero, reduções tributárias e Imposto Seletivo podem criar diferenças de preço capazes de influenciar os hábitos de consumo das famílias.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Contadora Shyrlene Chicanelle

2/2/20264 min read

Quando se fala em Reforma Tributária, muita gente pensa apenas em empresas, impostos e notas fiscais.

Mas existe um efeito muito mais próximo da nossa rotina.

A nova tributação pode começar a influenciar aquilo que escolhemos comprar.

Isso acontece porque alguns produtos receberão tratamento tributário favorecido, enquanto outros terão uma cobrança maior.

Na prática, o preço pode começar a funcionar também como um incentivo para determinadas escolhas de consumo.

1. Produtos essenciais terão tratamento favorecido

Uma das principais mudanças está nos alimentos.

Diversos produtos da Cesta Básica Nacional terão alíquota zero de IBS e CBS.

Outros alimentos terão redução em relação à tributação padrão.

Isso pode aumentar a diferença de preço entre produtos considerados essenciais e outros tipos de alimentos.

Para o consumidor, essa diferença pode acabar influenciando o que entra no carrinho.

2. Alguns produtos terão uma tributação criada para desestimular o consumo

Esse é um dos pontos mais interessantes da Reforma.

Foi criado o chamado Imposto Seletivo.

Ele será aplicado sobre determinados produtos considerados prejudiciais à saúde ou ao meio ambiente.

A lógica é simples:

quanto maior o impacto negativo associado ao produto, maior pode ser a tributação.

Entre os grupos alcançados estão produtos como:

  1. cigarros

  2. bebidas alcoólicas

  3. bebidas açucaradas

  4. determinados veículos

  5. outros bens previstos na legislação

Ou seja, o próprio sistema tributário passa a tentar influenciar algumas escolhas.

3. Refrigerante pode começar a competir ainda mais com outras bebidas

Imagine uma família escolhendo entre refrigerante, água, leite ou outro tipo de bebida.

Se um produto recebe uma tributação maior e outro possui tratamento reduzido ou favorecido, a diferença de preço entre eles pode aumentar.

Isso não significa que todo mundo deixará de comprar refrigerante.

Mas o preço pode passar a pesar mais na decisão.

É justamente essa uma das finalidades do Imposto Seletivo.

4. O consumidor pode começar a prestar mais atenção à composição da compra

Hoje, muita gente escolhe produtos olhando principalmente:

  1. preço

  2. marca

  3. qualidade

  4. promoção

Com a nova tributação, outra diferença poderá ganhar importância:

o tratamento tributário daquele produto.

Dois itens semelhantes poderão ter impactos diferentes no orçamento dependendo da categoria em que estiverem enquadrados.

5. A cesta básica pode ganhar ainda mais espaço no orçamento

Para muitas famílias, alimentos essenciais já representam boa parte das compras.

Com a alíquota zero de IBS e CBS para determinados produtos, pode surgir um incentivo econômico adicional para priorizar esses itens.

Mas existe um cuidado importante:

imposto menor não significa que o preço cairá automaticamente.

O valor na prateleira também depende de safra, combustível, transporte, produção, concorrência e margem do comércio.

6. Famílias de baixa renda ainda terão outro incentivo: o cashback

A Reforma também criou um sistema de devolução de parte dos tributos pagos por famílias de baixa renda que cumprirem os requisitos.

Isso significa que determinadas escolhas de consumo poderão ter um impacto diferente no orçamento dessas famílias.

Em algumas despesas essenciais, a devolução prevista é maior.

Na prática, a pessoa não olhará apenas quanto paga.

Também poderá existir uma parcela do imposto que retorna para a família.

7. Produtos considerados prejudiciais podem pesar mais

É importante entender a lógica.

O Imposto Seletivo não foi criado simplesmente para arrecadar.

Ele também tem uma função comportamental.

A ideia é tornar determinados produtos relativamente mais caros para tentar reduzir seu consumo.

Isso já acontece em diversos países com produtos como cigarros e bebidas alcoólicas.

Com a Reforma, essa lógica ganha uma estrutura mais clara no sistema brasileiro.

8. As empresas também podem mudar aquilo que oferecem

A mudança pode acontecer dos dois lados.

Se determinado produto ficar menos competitivo por causa da tributação, empresas podem:

  1. rever preços

  2. oferecer alternativas

  3. mudar embalagens

  4. modificar produtos

  5. criar novas opções

  6. investir em categorias com tributação mais favorável

Ou seja, a Reforma pode mexer não apenas com o que o consumidor compra.

Pode mexer também com aquilo que chega às prateleiras.

9. Promoções podem ficar ainda mais importantes

Quando existe uma diferença maior de tributação entre produtos, o consumidor tende a comparar ainda mais.

Preço final, desconto e custo-benefício ganham peso.

Isso pode aumentar a procura por:

  1. marcas mais baratas

  2. produtos substitutos

  3. embalagens menores

  4. alternativas com menor tributação

  5. promoções reais

O comportamento de compra pode mudar aos poucos.

10. Não espere uma mudança de uma hora para outra

A Reforma Tributária possui uma transição longa.

Em 2026, IBS e CBS estão em fase de teste.

A partir de 2027, a CBS passa a ganhar peso efetivo e o Imposto Seletivo entra em vigor.

O IBS será implantado gradualmente nos anos seguintes.

Por isso, os hábitos de consumo também não devem mudar de uma vez.

Os efeitos tendem a aparecer aos poucos.

O que pode começar a acontecer na prática

Nos próximos anos, algumas famílias podem começar a:

  1. comparar mais produtos

  2. priorizar alimentos essenciais

  3. reduzir itens que ficarem mais caros

  4. trocar determinadas marcas

  5. procurar substitutos mais baratos

  6. prestar mais atenção aos impostos destacados na nota

Não porque alguém vai obrigar o consumidor a mudar.

Mas porque preço influencia decisão.

E tributação influencia preço.

Dica SC Contabilidade

A Reforma Tributária não muda apenas impostos.

Ela pode mudar escolhas.

Quando determinados produtos recebem alíquota zero ou reduzida e outros passam a ter tributação maior, o consumidor começa a sentir essa diferença no bolso.

E, aos poucos, isso pode influenciar o que colocamos no carrinho, o que deixamos de comprar e aquilo que escolhemos substituir.

Por isso, uma das consequências menos comentadas da Reforma pode estar justamente nos nossos hábitos de consumo.

SC Contabilidade — Porque confiança não tem preço.