A Reforma Tributária já começou: o que pequenos negócios precisam observar antes de 2027

Simples Nacional, IBS, CBS, emissão de notas, preços e aproveitamento de créditos estão entre os pontos que pequenos negócios precisarão acompanhar durante a transição da Reforma Tributária.

REFORMA TRIBUTÁRIA

Contadora Shyrlene Chicanelle

2/2/20264 min read

Durante muito tempo, a Reforma Tributária pareceu um assunto distante, cheio de termos técnicos e voltado apenas para grandes empresas.

Isso mudou.

A transição já começou e, para os pequenos negócios, as consequências podem aparecer na emissão de notas, na formação de preços, no relacionamento com clientes, na organização financeira e até na escolha de como os novos impostos serão recolhidos.

A boa notícia é que o Simples Nacional não acabou.

Mas isso não significa que tudo continuará exatamente como antes.

1. O Simples Nacional continua existindo

Esse é o primeiro ponto que precisa ficar claro.

MEIs, microempresas e empresas de pequeno porte não perderam automaticamente seus regimes por causa da Reforma Tributária.

O Simples continua existindo.

A mudança está na forma como os novos tributos sobre o consumo, principalmente IBS e CBS, passam a entrar nessa estrutura.

Ou seja: para o pequeno empresário, o assunto não é “fim do Simples”.

É entender como o Simples vai funcionar dentro do novo sistema.

2. A empresa poderá ter uma escolha importante pela frente

Uma das novidades mais relevantes para quem está no Simples é a possibilidade de permanecer no regime e, ao mesmo tempo, recolher IBS e CBS pelas regras do regime regular.

Na prática, existirão situações em que a empresa poderá manter os demais tributos dentro do Simples, mas tratar IBS e CBS separadamente.

Essa escolha não será melhor para todo mundo.

Ela poderá depender de fatores como:

  1. quem são os clientes da empresa

  2. quanto ela compra de fornecedores

  3. quanto crédito tributário consegue aproveitar

  4. margem de lucro

  5. atividade exercida

  6. posição da empresa dentro da cadeia de vendas

Por isso, escolher apenas pelo costume pode não ser suficiente.

3. Vender para outras empresas pode mudar essa conta

Esse talvez seja um dos pontos mais importantes para pequenos negócios que atendem outras empresas.

No novo sistema, o aproveitamento de créditos de IBS e CBS ganha muito mais importância.

Isso pode fazer com que determinados clientes passem a observar não apenas o preço cobrado, mas também quanto de crédito aquela compra gera para eles.

Um pequeno negócio que vende principalmente para consumidor final pode ter uma realidade.

Outro que vende para empresas maiores pode ter uma completamente diferente.

É por isso que duas empresas do mesmo tamanho podem tomar decisões tributárias diferentes.

4. O preço dos produtos e serviços precisará ser revisto

A Reforma Tributária não deve ser tratada apenas como uma mudança na guia de imposto.

Ela pode interferir diretamente na formação do preço.

O empresário precisará entender:

  1. quanto efetivamente paga de tributos

  2. quais créditos consegue aproveitar

  3. quanto de imposto existe na operação

  4. qual margem precisa preservar

  5. como os concorrentes serão afetados

Simplesmente manter o preço antigo e esperar para ver o que acontece pode ser arriscado.

O preço precisa acompanhar a nova realidade tributária.

5. A emissão de notas também entra nessa mudança

Os documentos fiscais estão sendo adaptados para receber informações relacionadas ao IBS e à CBS.

Isso significa que sistemas de emissão, cadastros de produtos, serviços e processos internos precisarão acompanhar a transição.

Para muitos pequenos negócios, o impacto poderá aparecer primeiro no computador antes mesmo de aparecer no caixa.

Quem utiliza sistema próprio, plataforma de vendas ou programa de emissão de notas precisa acompanhar as atualizações.

6. 2026 é principalmente um ano de preparação

A implantação não acontece toda de uma vez.

O ano de 2026 funciona como uma grande fase de transição, testes e adaptação.

Para muitos pequenos negócios, especialmente os enquadrados no Simples, as mudanças mais relevantes entram com mais força a partir de 2027.

Mas isso não significa que dá para esperar 2027 chegar.

É justamente agora que a empresa precisa começar a:

  1. organizar cadastro de produtos e serviços

  2. revisar o sistema de emissão de notas

  3. entender de quem compra

  4. entender para quem vende

  5. rever preços e margens

  6. acompanhar o enquadramento tributário

7. Setembro de 2026 merece atenção especial

Para algumas empresas, setembro de 2026 será um mês importante.

É quando começam prazos relacionados às opções que produzirão efeitos em 2027, inclusive para empresas que pretendam recolher IBS e CBS fora do regime único do Simples.

Isso transforma uma decisão tributária que parecia distante em algo que já precisa ser analisado.

E fazer essa escolha sem cálculo pode custar caro.

8. O MEI também precisa acompanhar

O MEI continua existindo e mantém seu tratamento diferenciado.

Mas ele também faz parte de um ambiente fiscal que está sendo reorganizado.

Por isso, mesmo quem trabalha em uma estrutura muito pequena precisa acompanhar:

  1. faturamento

  2. emissão de notas

  3. atividade permitida

  4. crescimento do negócio

  5. necessidade de desenquadramento

A Reforma Tributária não significa que todo MEI terá uma grande mudança imediata.

Mas ignorar o assunto também não é uma boa estratégia.

9. Pequenas empresas terão que olhar mais para seus números

Esse talvez seja um dos maiores efeitos da reforma.

O pequeno empresário que sempre decidiu tudo olhando apenas para o saldo bancário terá cada vez mais dificuldade.

Será necessário conhecer melhor:

  1. faturamento

  2. custos

  3. margem de lucro

  4. impostos

  5. fornecedores

  6. perfil dos clientes

  7. fluxo de caixa

Porque a escolha tributária poderá interferir diretamente na competitividade do negócio.

O maior erro agora é pensar: “meu contador vê isso depois”

A contabilidade terá um papel fundamental.

Mas a decisão também envolve o empresário.

Quem conhece o próprio negócio consegue participar melhor da análise e entender por que uma escolha pode ser mais vantajosa do que outra.

A Reforma Tributária não muda apenas impostos.

Ela muda a forma como muitas empresas precisarão olhar para compras, vendas, preços e planejamento.

Dica SC Contabilidade

O pequeno negócio não precisa entrar em pânico com a Reforma Tributária.

Mas também não pode ignorá-la.

O Simples Nacional continua existindo, porém novas decisões começam a surgir e algumas delas já precisam ser avaliadas em 2026 pensando em 2027.

O melhor momento para entender o impacto não é depois que a nova regra estiver pesando no caixa.

É antes.

Porque quem se prepara consegue ajustar preços, sistemas, processos e enquadramento com muito mais segurança.

SC Contabilidade — Porque confiança não tem preço.